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Espaço dos Diretores

  • Jesus — Sua Vida e Mensagem: A Morte de Jesus (4ª Parte)

    [Jesus—His Life and Message: The Death of Jesus (Part 4)]

    Cada um dos quatro Evangelhos se refere às mulheres presentes na crucificação de Jesus. O Evangelho segundo Mateus diz:

    Estavam ali, observando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para o servir. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu.[1]

    O Evangelho segundo Marcos nos diz que uma dessas mulheres era Salomé[2] enquanto o Evangelho escrito por João traz que Maria, mulher de Clopas[3] também se fez presente.

    No Evangelho segundo Marcos lemos que na Galileia estas mulheres tinham-no seguido e servido. Estavam ali também muitas outras mulheres que tinham subido com ele para Jerusalém.[4] Um autor comentou: Uma das características interessantes e incomuns do ministério de Jesus foi a presença de várias mulheres que estavam entre os discípulos. Embora estivessem “servindo” a Jesus e aos outros discípulos, elas também se sentaram a Seus pés e, como os homens, foram ensinadas (Lucas 10:38–42). É por isso que Marcos diz que elas “O seguiam”, o que implica discipulado.[5] Dias depois, foram as mulheres que primeiro viram Jesus, após Sua ressurreição.

    O Evangelho segundo Lucas explica que além dessas mulheres, todos os Seus conhecidos, e as mulheres que O haviam seguido desde a Galileia, estavam de longe contemplando estas coisas.[6] Os comentaristas sugerem que os conhecidos que estavam à distância junto com as mulheres eram discípulos de Jesus, provavelmente um grupo mais amplo do que apenas os Doze (onze, na hora da crucificação). Provavelmente escolheram ver de longe por questões de segurança.

    Os Evangelhos Sinópticos[7] afirmam que as mulheres estavam de pé, longe do lugar onde Jesus foi crucificado, enquanto o Evangelho segundo João afirma que estavam de pé perto da cruz.

    Junto à cruz de Jesus estava a sua mãe, a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus ali a sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua mãe. Dessa hora em diante o discípulo a recebeu em sua casa.[8]

    De acordo com João, quatro mulheres estavam presentes na crucificação: a mãe de Jesus e sua irmã, Maria Madalena e Maria de Clopas. Parece que as mulheres estavam a certa distância de onde Jesus foi crucificado, mas, em algum momento, juntamente com o discípulo que Jesus amava, aproximaram-se da cruz. Quando Jesus viu Sua mãe e aquele a quem Jesus amava, Ele falou, primeiro com Sua mãe. “Mulher, eis aí teu filho!”

    Ele então falou com o discípulo amado. Cinco vezes no Evangelho segundo João é citado aquele a quem Jesus amava.[9] Embora nunca seja especificamente identificado, os primeiros cristãos, assim como a maioria dos comentaristas bíblicos hoje, concordam que esse discípulo foi o apóstolo João. Depois disse ao discípulo: Eis a tua mãe. Dessa hora em diante o discípulo a recebeu em sua casa. Em preparação para Sua partida deste mundo, Jesus estava colocando as coisas em ordem, certificando-Se de que Sua mãe seria cuidada. O discípulo imediatamente obedeceu à ordem de Jesus e a levou para sua casa.

    Alguns podem se perguntar por que Jesus precisava entregar os cuidados de Sua mãe a um de Seus discípulos em vez de a um de Seus irmãos. Talvez fosse porque naquela época Seus irmãos não eram crentes. Em uma passagem anterior do Evangelho segundo João, lemos que: até os seus irmãos não criam nele.[10] Somente depois da ressurreição e ascensão de Jesus que Seus irmãos creram. Então, juntaram-se à Maria e aos discípulos no cenáculo, para esperar o Espírito Santo.

    Tendo chegado, subiram ao cenáculo… Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos.[11]

    O apóstolo Paulo escreve que Jesus apareceu a seu irmão, Tiago,[12] que mais tarde se tornou um líder na igreja de Jerusalém[13] e também faz referência aos irmãos de Jesus pregando o Evangelho.[14]

    Desde a hora sexta até à hora nona houve trevas sobre toda a terra. Por volta da hora nona exclamou Jesus em alta voz: Eli, Eli, lemá sabactâni, que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?[15]

    Os três Evangelhos Sinóticos falam das trevas que se abateram sobre a terra e de Jesus clamando a Seu Pai. O relato do Evangelho segundo Mateus será usado aqui.

    A crucificação começou na terceira hora (9 da manhã). Por volta da hora sexta (meio-dia), as trevas caíram sobre a terra e permaneceram até a hora nona (3 horas da tarde). A palavra traduzida como sobre toda a terra pode significar “sobre toda a terra”, mas “sobre toda a terra de Israel” é o significado mais provável. A causa das três horas de escuridão não é explicada. Supõe-se que tenha resultado de uma intervenção sobrenatural, parte dos eventos que antecederam a morte de Jesus. Um autor escreve:

    A escuridão está associada ao julgamento em vários lugares nas Escrituras, e parece que devemos entendê-la aqui como apontando para o julgamento de Deus sobre o pecado que está ligado à cruz.[16]

    Pendurado na cruz havia cerca de seis horas, Jesus clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” No Evangelho segundo Marcos lemos esta pergunta em aramaico, a língua original: “Eli, Eli, lemá sabactâni?”[17] Um autor comenta: Este não é apenas um grito de dor, mas um apelo angustiado a Deus que revela por um momento o tormento mental e espiritual do “cálice” que Jesus aceitou no Getsêmani. As palavras são tiradas diretamente do início do Salmo 22... o salmo expressa a desolação espiritual de um homem que continua a confiar e apelar a Deus, apesar do fato de seus oponentes ímpios zombarem dele e o perseguirem impunemente. No final, o salmo se transforma em alegre ação de graças pela libertação.[18]

    Alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Ele chama por Elias. E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber. Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo.[19]

    Embora Jesus gritasse “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” parece que alguns que O ouviram entenderam mal o que Ele estava dizendo. Um autor explica: Em hebraico, a palavra para “meu Deus” não é muito diferente da palavra para “Elias”, e alguns dos que estavam perto da cruz pensaram que Jesus estava chamando por Elias.[20]

    Havia uma jarra cheia de vinagre ali, e um dos assistiam à execução (ou possivelmente um dos soldados) correu para pegar algo para Jesus beber, apesar das aparentes objeções de outros que ali estavam. Um autor explica: Parece que alguém estava tentando ajudar de alguma forma ao sofredor dando-lhe algo para beber, enquanto os outros simplesmente esperavam para ver o que aconteceria.[21] Não tiveram de esperar muito.

    (Continua.)


    Nota

    A menos que indicado o contrário, todas as referências às Escrituras foram extraídas da “Bíblia Sagrada” — Tradução de João Ferreira de Almeida — Edição Contemporânea, Copyright © 2001, por Editora Vida.


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    [1] Mateus 27:55–56.

    [2] Marcos 15:40.

    [3] João 19:25.

    [4] Marcos 15:41.

    [5] Evans, World Biblical Commentary, Mark 8:27–16:20, 511.

    [6] Lucas 23:49.

    [7] Mateus, Marcos e Lucas.

    [8] João 19:25–27.

    [9] João 13:23; 19:26; 20:2; 21:7, 20.

    [10] João 7:5.

    [11] Atos 1:13–14.

    [12] 1 Coríntios 15:7.

    [13] Atos 15:13–22.

    [14] 1 Coríntios 9:5.

    [15] Mateus 27:45–46. Também Marcos 15:33–34, Lucas 23:44–46.

    [16] Morris, The Gospel According to Matthew, 720.

    [17] Marcos 15:34.

    [18] France, The Gospel of Matthew, 1075–1076.

    [19] Mateus 27:47–49.

    [20] Morris, The Gospel According to Matthew, 722.

    [21] Morris, The Gospel According to Matthew, 722.

     

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